Melhora da economia e considerações sobre preço

Publicado em por Diego Lopes

Toda bolha de preços prescinde de especulação do passado sobre o futuro quanto à demanda do ativo; mas nem toda especulação de preços necessariamente resultará numa bolha. O que diferencia mera especulação de uma bolha especulativa está na característica do ativo: Se o ativo não for escasso o suficiente, ou seja, se for passível de ser inflacionado, de ser replicado, de ser legalmente falseado (como o dinheiro emitido pelos bancos centrais), o seu valor, por ausência de lastro em um bem legítimo, dificilmente retomará o máximo de precificação após uma conscientização de descrédito pelos credores, porque não se trata de um bem econômico genuíno. Bem econômico genuíno é aquele cuja utilidade de determinada fração acrescentará um tanto ao meu acervo patrimonial. À medida que perde valor, sua fração, ou seja, sua utilidade, também deixará de haver sobre o meu patrimônio. Neste caso, houve especulação em seu preço porque se almejava meramente lucrar do próprio preço do ativo (ou dos juros remunerados pelo devedor), e não no interesse de eventual utilidade do bem como troca direta por outro ativo econômico. Agora, se o ativo é escasso o suficiente, muito naturalmente que estará também sujeito a ataques especulativos; todavia, por ser intrinsecamente escasso, sua reserva de valor jamais se perde, tal como o ouro e a prata hodiernamente.

Em épocas em que há sérias dúvidas da capacidade de o Estado honrar seus compromissos, os investidores correm para ativos de reserva de valor; não só para defender o patrimônio da inflação, mas, também, para obter invariavelmente algum lucro, porque a demanda pelo ouro aumentará muito; em épocas em que a inflação está controlada, juros significativamente baixos e o governo produz superávit primário (gasta menos do que arrecada), os investidores voltam a investir na dívida do governo e no mercado mobiliário de valores, havendo, consequentemente, uma queda na precificação do ouro.

A depender da potência da depressão de uma crise econômica; e, posteriormente, da recuperação da economia, pode-se muito bem imaginar uma bolha no preço dos ativos dos metais; mas nem por isso, após a crise, pode-se afirmar que perderam o valor.

À medida que os bancos centrais emitem dívidas sem lastro em algum ativo escasso, no longo prazo, após vários ciclos econômicos, a tendência média é que ativos escassos sobrevalorizem-se frente à moeda de curso forçado, mesmo em casos de o Estado fazer superávit primário: isto porque não se ouve falar de sociedade cujo governo vem conseguindo gastar menos do que poupa por intermédio do Estado, desde que este rescindiu o lastro da moeda com o ouro e a prata. Sendo assim, quando se acusa o preço de um ativo ser bolha, deve-se ter consciência se se trata de uma especulação sobre um bem potencialmente inflacionável ou não. Outros fatores também compõem o arsenal para dizer se uma utilidade é um bem econômico, além da escassez. Deve ver se há: 1) liquidez; 2) o conhecimento humano de que é um bem com possibilidade de satisfazer certa necessidade; 3) a possibilidade de pôr este bem no mercado como meio de troca. Noutros termos: Para além do problema de escassez, investidores podem perder patrimônio porque, embora o bem fosse escasso, algo sucedeu que o impede de ser utilizado, por exemplo, como meio de troca. Contudo, a questão da escassez é preliminar; quem diz que há bolha de preços em um produto tecnicamente escasso e, até o momento, com todos os demais requisitos preenchidos para se caracterizar bem econômico, provoca, a sabendas, perturbação e desordem no mercado financeiro para lucrar em cima dos desesperados.

Por Diego Lopes.

Círculo Liberal | Curitiba | 2017